sábado, setembro 2

Casamento e missões: vocações simultâneas

Eis um testemunho que torna possível o forte desejo de partir em missão aliado à vocação matrimonial. Um jovem casal, oriundo de Albergaria a Velha, chegou recentemente de uma missão em Moçambique, passou um tempo com a família e já estão noutro projecto: a Libéria para trabalharem num campo de refugiados.

Casaram em Agosto de 2005 e já a lua-de-mel foi passada em missão. Conheceram-se nos grupos de jovens da paróquia e “como antes de nos conhecermos, cada um já tinha projectos de missão, foi fácil juntar o útil ao agradável”, afirma Carina Ferreira ao jornal Correio do Vouga, uma Técnico-profissional de Animação Sócio-cultural com 23 anos.


Paulo Castanheira, de 31 anos, licenciado em Música pelo Conservatório, sente esta entrega como uma vocação. “Desde os meus 13 anos que me sinto chamado a ser missionário. Entendo o meu trabalho como uma resposta a essa vocação” afirmou este jovem missionário.


Em Moçambique, para onde partiram em Agosto de 2005, o casal esteve numa missão coordenada pelos missionários dehonianos, dedicados à formação. Ele ensinava informatica e inglês e a sua mulher, a Carina Castanheira de 23 anos, coordenava a biblioteca e a secretaria da escola do Centro Polivalente Leão Dehon. E o tempo livre foi dedicado ao apoio ao orfanato Arco-íris, que tinha 30 crianças órfãs ou abandonadas por motivos económicos. Havia tempo ainda para a catequese na prisão, a par com aulas básicas. “No fundo não tenho vocação para dar formação. No tempo livres é que desenvolvíamos as actividades para as quais estamos vocacionados” afirma o Paulo.


Já se encontram na Libéria, para por mais um ano, se dedicarem aos outros. O destino é Scalepie, no interior da Libéria, localidade onde se situa um campo de refugiados da Costa do Marfim e de retornados da própria Libéria, que ainda bem recentemente foi dilacerada por guerra civil. Refira-se que é desta zona, a África Ocidental, que partem os barcos de imigrantes que quase todos os dias tentam chegar às Ilhas Canárias e, consequentemente, à União Europeia.

Paulo e Carina vão trabalhar com o Serviço dos Jesuítas aos Refugiados, uma ONG da Companhia de Jesus, presente em 50 países. Contactaram esta organização pela Internet, para onde enviaram os seus dados e trabalhos desenvolvidos, e foi o próprio SJR-Internacional que indicou o campo da Libéria, depois de uma entrevista em Lisboa. No campo de refugiados, os marfinenses aprendem “actividades de geração de rendimento” como padaria, carpintaria e construção civil. A função do jovem casal será coordenar esses projectos e alargá-los aos liberianos da localidade. Prevê-se ainda que, mais tarde, colaborem num jardim-de-infância.

E esta será a realidade do casal durante o próximo ano, altura em que regressarão a Portugal “não em definitivo” para que a Carina possa fazer o curso superior de Educação Social.


Sentem um grande apoio por parte das famílias “É uma decisão nossa, feita em conjunto. Apesar de ficarem mais sossegados quando cá estamos, respeitam a nossa decisão” diz a Carina.

1 comentário:

Charles disse...

Que Deus abençoe este trabalho...é preciso realmente vocação, um chamado específico para ter força para perseverar...

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